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Testes de saltos são amplamente utilizados em diversos contextos: clínicos, esportivos, ou mesmo acadêmicos, porém, muitas vezes a escolha do protocolo é realizada de forma empírica, sem realmente considerar as diversas opções disponíveis. Alguns testes apresentam uma abordagem analítica, enquanto outros realizam uma abordagem global. Outros ainda geram respostas a respeito de fatores externos, como a força de reação do solo. Essa multiplicidade de possíveis respostas gera confusão na hora da escolha, caso o profissional não conheça cada uma das opções disponíveis e qual seu uso adequado.

Por exemplo, ao realizar o teste Squat Jump, que inicia seu movimento a um ângulo de 90º de flexão de joelhos (a qual deve ser mantida por aproximadamente 1 segundo), obtêm-se respostas acerca da força explosiva de membros inferiores. O mesmo movimento sem a isometria na flexão de joelhos, ou seja, saltando em um contramovimento, é conhecido como Counter Movement Jump e avalia a força explosiva devido à energia elástica armazenada durante o ciclo de contração-extensão. O teste Repeated Counter Movement Jump fornece resultados sobre essa força explosiva e sua manutenção/intensidade nas diferentes rotas metabólicas. Já o teste Counter Movement Jump with Arm Thrust tem por objetivo avaliar a mesma força explosiva em uma situação mais funcional, não específica do trabalho de membros inferiores, mas do conjunto de alterações posturais e impulsos gerados com os braços.

 

 

 

Em outras palavras, pode-se entender que o Counter Movement Jump avalia uma força de explosão em uma repetição máxima (RM), indicando o melhor desempenho possível em um único salto com contramovimento, enquanto o Squat Jump fornece um panorama do salto apenas utilizando a explosão de força de membros inferiores, sem impulso algum. O Counter Movement Jump realizado repetidas vezes permite verificar o efeito da fadiga no desempenho por diversos parâmetros, por exemplo, no deslocamento vertical, ou ainda, o desempenho durante diferentes rotas metabólicas prioritárias, dependendo do tempo e da intensidade selecionadas para realização do teste (McARDLE; KATCH; KATCH, 2008). Já o mesmo movimento realizado com impulso de membros superiores, retrata de forma mais aplicada o salto como gesto esportivo. Vale ressaltar que, quando objetiva-se um acompanhamento com teste-reteste, é importante estar atento a fatores ambientais que possam influenciar a força empregada, como o que acontece frente a incentivos verbais (MAZZETO et al., 2014).

 

Se pensarmos em um contexto esportivo, como no salto do bloqueio em uma partida de vôlei, o teste Counter Movement Jump vai indicar como estará o salto do atleta em uma avaliação analítica, voltada apenas para membros inferiores, ao longo da partida sempre que ele tiver tempo de recuperar-se, ou seja, com tempo de ressintetizar a rota creatina-fosfato (ATP-CP). O teste Repeated Counter Movement Jump vai, também em uma avaliação analítica, voltada apenas para membros inferiores, indicar se ele mantém o desempenho ao longo da fadiga, ou seja, quando não há tempo de recuperação entre os saltos, ou mesmo quando a rota principal é a glicolítica, ou a aeróbica, dependendo do atleta e da duração escolhida para o teste. Por outro lado, o teste Counter Movement Jump with arm thrust vai realizar uma avaliação global do salto desse atleta, permitindo avaliar, por exemplo, se o impulso de membros superiores está sendo efetivo, ao comparar esse resultado com o mesmo gesto realizado com as mãos no quadril.

Além desses testes, destacam-se também protocolos que avaliam força de reação do solo, como o Stiffness e o Drop Jump. Tais coletas de dados podem ser realizadas com plataformas de força, instrumentos amplamente utilizados para avaliar marchas e saltos (McGINNIS, 2015), e sensores incercias como o G-WALK. Ou seja, conhecer as características de cada protocolo permite a escolha adequada, que, por vezes, pode ser da combinação de dois ou mais testes, os quais representem todos os aspectos de interesse na avaliação, sejam estes biomecânicos, fisiológicos, ou da interação com o meio.

 

Texto por: Me. Catiane Souza

Lattes: http://lattes.cnpq.br/2788554094463654

REFERÊNCIAS:

MAZZETTO, M.O., PAIVA, G., MAGRI, L.V., MELCHIOR, M.O., RODRIGUES, C.A. Frequência de alterações dos índices eletromiográficos na disfunção temporomandibular e sua correlação com o nível de dor. Revista Dor, vol. 15 n.2 , p. 91-95, 2014.

McARDLE, W. D., KATCH, F. I., KATCH, V. L. Fisiologia do Exercício, Nutrição e Desempenho Humano. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

McGINNIS, P. M. Biomecânica do esporte e do exercício. Porto Alegre: Artmed, 2015.