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Dentre os muitos parâmetros apresentados em laudos de testes de saltos, o leg stiffness muitas vezes pode não ser percebido em sua real importância e representatividade clínica. Muito mais do que um parâmetro específico e pouco representativo como pode parecer em um primeiro momento, o leg stifness, ou rigidez das pernas, pode ser entendido como um conceito mecânico geral que capta o comportamento global do corpo durante o salto (LAFFAYE, BARDY, DUREY, 2004).

O conceito de leg stiffness pode ser entendido como o quociente da força máxima de reação do solo e do deslocamento vertical da perna com a compressão máxima da perna, sendo medido em quilonewton por metro (kN/m) – como as duas pernas são usadas para saltar, o valor é calculado a partir da rigidez combinada de ambas as pernas (FERRIS et al., 1997). Sua regulação é realizada por uma mudança na pré-ativação muscular programada pelo sistema nervoso central e aparentemente, também por uma mudança concomitante na resposta reflexa do alongamento de curta latência dos músculos (HOBARA et al., 2007).

Tal parâmetro pode ser utilizado até mesmo em populações pediátricas (LLOYD et al., 2009), sendo influenciado pela faixa etária: com o aumento da idade, espera-se uma diminuição na função neuromuscular de ajuste ativo da rigidez, que armazena energia elástica visando otimizar o desempenho (LIU et al., 2006). Outro fator que influencia o leg stiffness é o tempo de contato: quanto menor é o tempo de contato, maior é a rigidez. Isso significa que, ao influenciar o tempo de contato por meio de instruções verbais, é possível controlar a rigidez das pernas, sendo que existe um ótimo valor de rigidez nas extremidades inferiores para maximizar a potência mecânica (Arampatzis, et al., 2001).

Por ser considerado um representante global do corpo durante o salto, é de fundamental importância que o leg stiffness seja atentamente analisado nos protocolos de salto em diferentes populações. Fatores como idade, tempo de contato e instrução verbal podem influenciar em seus resultados, o que destaca a importância do teste ser realizado por um profissional devidamente qualificado, permitindo assim comparar com segurança as informações advindas de um teste-reteste, e consequentemente os efeitos da intervenção realizada.

 

Texto por: Me. Catiane Souza

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REFERÊNCIAS:

ARAMPATZIS, A.; SCHADE, F.; WALSH, M.; BRÜGGEMANN, G. P. Influence of leg stiffness and its effect on myodynamic jumping performance. Journal of electromyography and kinesiology, v. 11, n. 5, p. 355-364, 2001.

FERRIS D. P., FARLEY CLAIRE T., Interaction of leg stiffness and surface stiffness during human hopping. Journal of Applied Physiology, Vol. 82, No. 1, 1997.

HOBARA, H.; KANOSUE, K.; SUZUKI, S. Changes in muscle activity with increase in leg stiffness during hopping. Neuroscience letters, v. 418, n. 1, p. 55-59, 2007.

LAFFAYE, G; BARDY, B G.; DUREY, A. Leg stiffness and expertise in men jumping. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 37, n. 4, p. 536-543, 2005.

LIU, Y.; PENG, C. H.; WEI, S. H.; CHI, J. C.; TSAI, F. R.; CHEN, J. Y. Active leg stiffness and energy stored in the muscles during maximal counter movement jump in the aged. Journal of Electromyography and Kinesiology, v. 16, n. 4, p. 342-351, 2006.

LLOYD, R. S., OLIVER, J. L., HUGHES, M. G., WILLIAMS, C. A. Reliability and validity of field-based measures of leg stiffness and reactive strength index in youths. Journal of Sports Sciences, v. 27, n. 14, p. 1565-1573, 2009.