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Alguns parâmetros do COP, como distância percorrida, deslocamento ântero-posterior, ou área da elipse parecem ser mais “intuitivos” que outros e, talvez por essa facilidade de entendimento, acabem ganhando preferência em avaliações clínicas e acadêmicas. Porém, é importante estar atento ao que parâmetros pouco usados, como o Sway, oferecem de informação, até mesmo porque, ali pode estar o segredo de uma avaliação diferenciada.

O Sway é uma unidade adimensional que pode ser descrito como “distância espacial média” (Scoppa 2013). Esse parâmetro é baseado na análise da densidade de oscilação, que foi proposta inicialmente por Baratto e colaboradores em 2002. Os mesmos autores definem, em outro estudo, que sway é “a curva dependente do tempo que conta, para cada instante de tempo, o número de amostras consecutivas do estatocinesiograma dentro de um pequeno círculo com um raio pré definido” (JACONO et al., 2004). Logo que foi proposto, o sway foi utilizado em estudos com diferentes patologias, como Parkinson precoce, neuropatia diabética e dor experimental (JACONO et al., 2004). Dentre 38 diferentes métodos de parametrização dos dados posturográficos avaliados em um estudo sob o ponto de vista do uso clínico, o sway parece ser mais robusto e sensível a condições patológicas do que os demais (BARATTO et al., 2002).  Mas porque isso acontece?

Vale lembrar que a oscilação do corpo durante a posição semiestática (DUARTE; FREITAS, 2010) é uma sequência de “quedas”, retardada pela rigidez muscular intrínseca e contrabalançada por comandos descendentes, que deslocam o COP para além da posição antecipada do COG, acelerando assim de volta para a posição de referência (BARATTO et al., 2002). No caso do sway, como já mencionado, é construído um gráfico de densidade de oscilação contando o número de amostras consecutivas da trajetória posturográfica, para cada instante de tempo, dentro de um círculo de teste de um determinado raio, e que seus valores são altamente relacionados com o torque do tornozelo: (1) os picos do sway correspondem a instantes de tempo em que o torque do tornozelo e os comandos motores associados são relativamente estáveis e (2) os vales do sway correspondem aos instantes em que o torque do tornozelo muda rapidamente de um valor estável para o ângulo (BARATTO et al., 2002).

Independente de ter objetivos clínicos ou acadêmicos é essencial conhecer as condições básicas para que a coleta de dados represente o evento que está sendo coletado. O sway, por exemplo, aparentemente necessita de uma taxa de amostragem maior do que outros parâmetros do COP, em torno de 100 Hz – não 50 Hz como os demais – sendo sugerido ainda que informações de qualidade precisariam, pelo menos, 30s de teste (Scoppa, 2012). Cuidados desse tipo auxiliam em uma avaliação mais precisa e de qualidade, evitando erros nos dados, como o de aliasing (que será abordado em nosso próximo texto!).

Portanto, principalmente em situações patológicas, é importante olhar os resultados do sway com atenção, pois, assim como os demais parâmetros do COP, o sway é rico em informações que devem ser claras ao profissional que trabalha com estabilografia, para que ele possa interpretar da forma correta, e escolher qual (quais) o(s) parâmetro(s) que melhor representa(m) a situação de cada paciente a ser avaliado.

Texto por: Me. Catiane Souza

Lattes: http://lattes.cnpq.br/2788554094463654

REFERÊNCIAS:

BARATTO, L., MORASSO, P. G., RE, C., SPADA, G. A new look at posturographic analysis in the clinical context: sway-density versus other parameterization techniques. Motor control, v. 6, n. 3, p. 246-270, 2002.

DUARTE, M., FREITAS S.M. Revisão sobre posturografia baseada em plataforma de força para avaliação do equilíbrio. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 14, n. 3, p. 183-192, 2010.

JACONO, M., CASADIO, M., MORASSO, P. G., SANGUINETI, V. The sway-density curve and the underlying postural stabilization process. Motor control, v. 8, n. 3, p. 292-311, 2004.

SCOPPA, F., CAPRA, R., GALLAMINI, M., SHIFFER, R. Clinical stabilometry standardization: basic definitions–acquisition interval–sampling frequency. Gait & posture, v. 37, n. 2, p. 290-292, 2013.