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A Copa não mostra só gols. As lesões musculares na Copa do Mundo também mostram o quanto o corpo do atleta trabalha no limite e por que uma lesão muscular quase nunca acontece do nada.

Lesões musculares na Copa do Mundo também revelam sobrecarga

A Copa do Mundo de 2026 teve um lado que o placar não conta. Antes e durante a competição, uma sequência de lesões atingiu várias seleções, incluindo lesões musculares, de joelho, de tornozelo, de adutor e de virilha.

No Brasil, por exemplo, Rodrygo, Éder Militão, Estêvão e Wesley já apareciam entre os desfalques antes da Copa. Além disso, durante o torneio, Raphinha também entrou para a lista de baixas após deixar o jogo contra o Haiti ainda no primeiro tempo.

Depois da partida, a CBF confirmou, por exame de imagem, uma lesão muscular na região posterior da coxa direita. Portanto, cada uma dessas situações conta uma parte da mesma história: movimento importa.

O padrão é mais forte que o acaso

Quando olhamos o conjunto, um padrão se repete: coxa posterior, isquiotibiais, adutor, virilha, joelho e tornozelo. Isso não é coincidência. Afinal, essas são justamente as estruturas exigidas no limite em sprint, frenagem, mudança de direção, chute, contato e disputa de bola.

Além disso, esse padrão tem respaldo científico. No futebol de elite, a lesão de isquiotibiais é uma das mais comuns e vem crescendo ao longo das últimas duas décadas.

Segundo o UEFA Elite Club Injury Study, de Ekstrand et al., a lesão de isquiotibiais responde por uma parcela importante das lesões em equipes profissionais masculinas. O estudo também aponta que, em média, 21,8% dos jogadores sofreram pelo menos uma lesão de isquiotibiais por temporada no período analisado.

Calendário apertado, corpo no limite

As lesões musculares na Copa do Mundo também ajudam a discutir um ponto central do futebol moderno: a sobrecarga. A temporada 2025/26 foi especialmente longa e congestionada. Como resultado, muitos atletas chegaram ao torneio após meses de jogos, viagens, treinos e pouco tempo real de recuperação.

Nesse contexto, especialistas relacionam o acúmulo de jogos ao surgimento de microlesões. Com o tempo, essas pequenas alterações podem se somar até virar uma lesão maior.

Além disso, a literatura mostra que a taxa de lesão muscular em partidas é menor quando os atletas têm pelo menos seis dias entre um jogo e outro. Ou seja, quando a janela de recuperação encurta, a fadiga não resolvida cobra o preço.

Lesão muscular não acontece do nada

Antes da dor, geralmente existem sinais. Fadiga acumulada, assimetria entre os membros, padrões de compensação e queda no controle do movimento costumam aparecer antes da lesão.

No entanto, o corpo nem sempre avisa por meio da dor. Muitas vezes, o primeiro sinal é uma alteração de movimento. Por isso, olhar apenas para a dor é olhar tarde.

Para antecipar riscos, portanto, é preciso olhar para o movimento.

O retorno ao esporte também precisa ser medido

Se a lesão tem sinais mensuráveis antes, o retorno também precisa ter critérios mensuráveis depois. Afinal, liberar um atleta apenas porque “não dói mais” pode ignorar assimetrias de força e compensações que persistem mesmo após o fim da dor.

Essas compensações, por sua vez, aumentam o risco de relesão e podem comprometer a performance no retorno ao esporte.

É nesse ponto que a avaliação biomecânica entra. Ela ajuda o profissional a enxergar padrões, assimetrias e compensações que, muitas vezes, não aparecem em uma análise apenas visual.

O movimento avisa antes, durante e depois

Seja na triagem, para identificar o atleta sob risco; no acompanhamento, para monitorar carga e fadiga; ou no retorno, para liberar por critério e não por calendário, a lógica é a mesma: medir o movimento.

Nesse sentido, sensores inerciais como o Baiobit ajudam a quantificar assimetria de força, controle e parâmetros de movimento em minutos. Assim, o profissional transforma “parece recuperado” em dado.

O olho observa. Os dados medem, comparam e documentam. E quem mede, decide melhor.

Todo movimento importa. Todo dado revela.

Referências

EKSTRAND, J. et al. Hamstring injuries have increased by 4% annually in men’s professional football: UEFA Elite Club Injury Study. British Journal of Sports Medicine, 2016. Disponível em: https://bjsm.bmj.com/content/50/12/731

EKSTRAND, J. et al. Hamstring injury rates have increased during recent seasons and now constitute 24% of all injuries in men’s professional football: the UEFA Elite Club Injury Study from 2001/02 to 2021/22. British Journal of Sports Medicine, 2023. Disponível em: https://bjsm.bmj.com/content/57/5/292

BENGTSSON, H. et al. Muscle injury rate in professional football is higher in matches played within 5 days since the previous match. British Journal of Sports Medicine, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29101101/

O TEMPO Sports. Lesões às vésperas da Copa têm um padrão e expõem limite físico dos atletas, dizem especialistas. 2026. Disponível em: https://www.otempo.com.br/sports/copa-do-mundo/2026/2026/6/12/lesoes-as-vesperas-da-copa-tem-um-padrao-e-expoem-limite-fisico-dos-atletas-dizem-especialistas

El País. Brasil confirma la lesión muscular de Raphinha. 2026. Disponível em: https://elpais.com/deportes/mundial-futbol/2026-06-20/brasil-confirma-la-lesion-muscular-de-raphinha.html