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Sabe-se que as investigações em biomecânica têm sido de fundamental importância, em diversos contextos, como prevenção de lesões, tratamentos terapêuticos e desempenho esportivo (RICHARDS et al., 2002; PELLIZZARO, BERNARDES, LOSS, 2009). No entanto, tem-se dificuldade na obtenção de dados para quantificação da carga a qual uma articulação é submetida, o que se torna especialmente importante tratando-se da articulação do joelho, visto que a articulação tibiofemoral é bastante suscetível a lesões traumáticas por ser submetida a esforços elevados, pois localiza-se entre os dois maiores ossos do corpo humano (fêmur e tíbia) (PELLIZZARO, BERNARDES, LOSS, 2009). Nesse sentido, análises de dinâmica inversa em tal articulação são importantes para o entendimento de diferentes aspectos, como carga em ligamentos, demanda muscular…

Por exemplo, essas análises, nos permitem saber que, durante a corrida, o papel dos extensores de tornozelo e joelho é criar rigidez articular elevada antes e durante a fase de contato, enquanto os extensores de quadril são os principais impulsionadores para frente do corpo com velocidade de corrida crescente (BELLI, A.; KYRÖLÄINEN, H.; KOMI 2002). Tais informações podem auxiliar na escolha da intervenção adequada para melhorar o desempenho, ou aumentar a estabilidade durante a corrida, prevenindo lesões, como a tendinopatia patelar, principalmente se forem aliadas ao conhecimento das variáveis ligadas a essa disfunção. Nesse sentido, a literatura destaca: grandes valores de torques inversão-eversão do tornozelo, de rotação tibial externa, de torque extensor do joelho e de flexão plantar, além de altos valores de forças de reação do solo verticais (RICHARDS et al., 2002).
Com relação ao LCA, a dinâmica inversa traz informações com relação à demanda gerada em cadeia cinética aberta, sem carga externa. Pellizzaro, Bernardes e Loss (2009) afirmam que o LCA atua durante todo movimento de flexo-extensão do joelho, de 5 a 80 graus de flexão, tendo seu pico máximo de força em 30 graus. A partir desse resultado, a escolha de exercícios para pessoas que necessitem enfoque no LCA, seja por situação pós-cirúrgica, ou preventiva, passa a ser realizada de maneira mais direcionada e segura, permitindo adaptações adequadas, até mesmo para quem é população de risco para lesões e rompimentos (PELLIZZARO, BERNARDES, LOSS, 2009). Além disso, a dinâmica inversa é apontada como o método mais abrangente que dá acesso às forças conjuntas e torques associados à carga nos componentes protéticos (DUMAS, CHEZE, FROSSARD, 2009), auxiliando em seu desenvolvimento e adaptação.
Os exemplos abordados reafirmam, dentre outras possiblidades de uso, a diversidade de ambientes e contextos onde a dinâmica inversa pode nos levar a uma intervenção mais efetiva. Entender as variações das cargas impostas, ao longo da amplitude articular, além de um grande diferencial no mercado, é a forma mais segura de escolha de conduta, em uma prática realmente baseada em evidências.

 

Texto por: Me. Catiane Souza

Lattes: http://lattes.cnpq.br/2788554094463654

 

REFERÊNCIAS:

BELLI, A.; KYRÖLÄINEN, H.; KOMI, P. V. Moment and power of lower limb joints in running. International journal of sports medicine, v. 23, n. 02, p. 136-141, 2002.

DUMAS, R.; CHEZE, L.; FROSSARD, L. Loading applied on prosthetic knee of transfemoral amputee: comparison of inverse dynamics and direct measurements. Gait & posture, v. 30, n. 4, p. 560-562, 2009.

PELLIZZARO, C. O.; BERNARDES, C.; LOSS, J. F. Análise da força de cisalhamento na articulação tibiofemoral durante exercício de extensão de joelho. Revista Brasileira de Biomecânica, v. 10, n. 18, 2009.

RICHARDS, D. P., AJEMIAN, S. V., WILEY, J. P., BRUNET, J. A., & ZERNICKE, R. F. Relation between ankle joint dynamics and patellar tendinopathy in elite volleyball players. Clinical Journal of Sport Medicine, v. 12, n. 5, p. 266-272, 2002.