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As avaliações com eletromiografia (EMG) estão se tornando cada vez mais comuns, em diversas áreas como Neurologia, Reabilitação, Ergonomia, Desporto… (SENIAM). Ela é usada, por exemplo, por fisioterapeutas como um método para a compreensão da função e disfunção do sistema neuromuscular (SODERBERG, KNUTSON, 2000); por profissionais da área da Educação Física, para verificar quais músculos estão ativos em cada fase de um gesto ou para comparar a ativação de um mesmo músculo em situações similares, e na área médica, para o acompanhamento de pacientes com patologias que geram disfunções neurológicas e/ou musculares, como alterações na marcha ou perda da característica contrátil da musculatura.

De forma prática, a EMG é uma técnica que mede a atividade elétrica da musculatura via eletrodos de profundidade que são implantados dentro do músculo ou, de forma não invasiva, via eletrodos de superfície colocados na pele, sobre um músculo superficial (McGINNIS, 2015). Porém, para que as avaliações sejam válidas, alguns cuidados são essenciais, como antes da coleta: a preparação da pele com tricotomia e abrasão, a colocação dos eletrodos no correto sítio para cada músculo (SENIAM), o conhecimento específico de crosstalk (quando o sinal captado não é apenas do “músculo-alvo”, mas também de outros próximos a ele que interferem no sinal elétrico captado); durante a coleta a escolha da taxa de amostragem, que deve ser o dobro da maior frequência; e por fim, após a coleta, o processamento do sinal.
O tratamento pós-coleta deve ser específico para cada sinal e situação, porém, alguns processamentos são bastante comuns. Dentre eles, pode-se destacar: levar a linha de base do sinal para o zero, conhecido como remover off set, uma vez que durante a coleta, muitas vezes o sinal fica deslocado no eixo y; filtrar o sinal buscando excluir dados que não sejam provenientes do sinal muscular, como por exemplo ruídos da rede elétrica caracterizada por picos em 60 Hz, o que pode ser feito por um filtro digital Butterworth passa banda de 20 a 400 Hz de 4ª ordem, que exclui de froma razoavelmente rígida, frequências fora dessa banda onde se encontram sinais de EMG, ou por um filtro Not que exclui uma frequência, utilizado por exemplo, em ruídos de rede. Objetivando definir um único número como representativo do sinal, a opção mais comum é o RMS (Root Mean Square). Em execuções se usa o valor RMS de cada repetição, e em processamento de Contração Voluntária Máxima, usado para normalizar o sinal em %, é comum utilizar um envelope RMS com janelamento móvel do tipo Hamming, que pode ser descrito com uma representação gráfica de uma média ponderada onde a janela, que pode ser, por exemplo, de 1 segundo, “anda” pelo sinal tornando-o mais suavizado, a partir de então, se utiliza o maior valor após esse processamento, como o “100% do músculo”.

Pode-se perceber que, após a coleta de eletromigrafia, muitos cuidados são essências para que os valores obtidos sejam devidamente representativos da situação avaliada. Os exemplos trazidos podem ser um ótimo guia geral para tal fim, mas é sempre importante conhecer as características de cada sinal, e as outras possibilidades de processamentos, de forms que a escolha seja o mais consciente e adequada possível.

 

Texto por: Me. Catiane Souza

Lattes: http://lattes.cnpq.br/2788554094463654

 

REFERÊNCIAS:

McGINNIS, P.M. Biomecânica do esporte e do exercício. Porto Alegre: Artmed, 2015.

SENIAM. Project. Disponível em: http://www.seniam.org. Acesso em: 30 de agosto de 2016.

SODERBERG, G.L.; KNUTSON, L.M. A guide for use and interpretation of kinesiologic electromyographic data. Physical Therapy, v. 80, n. 5, p. 485-498, 2000.