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Lesões no joelho se fazem cada vez mais comuns, podendo ser associadas, inclusive, com a prática esportiva. Por exemplo, a incidência de lesões de LCA e/ou menisco passa dos 50% em praticantes de futebol amador, e pode chegar próximo a 20% em frequentadores de academia (ASTUR, et al., 2016). Tal fato demonstra a necessidade de avaliações atentas e focadas em aspectos funcionais dessa articulação, para as mais diversas populações (WHITING; ZERNICKE, 2001).
Tratando-se de atletas, uma forma comum, até mesmo intuitiva, de realizar tais avaliações é através da análise biomecânica do(s) gesto(s) esportivo(s). Inicialmente, é essencial conhecer o que seria a técnica efetiva ideal para a realização de um gesto (McGINNIS, 2015). Todavia, ainda que um determinado movimento seja funcional/cotidiano para um atleta, avaliar o desempenho de suas articulações apenas em tal gesto pode fornecer resultados pouco expressivos em situações para a qual ele não foi treinado. Em outras palavras, mesmo que durante os treinos de qualquer modalidade, como o arremesso de discos, o joelho se mantenha alinhado, ele pode acabar sofrendo uma sobrecarga por instabilidade em diversas outras tarefas cotidianas para o qual o indivíduo não foi treinado com tamanho preciosismo técnico.

 

Para evitar tal viés ao testar atletas, e também para realizar avaliações de indivíduos não atletas e sedentários, o ideal seria a utilização de testes com eventos que simulem ações onde a estabilidade do joelho seja colocada a prova. Uma ótima opção é o Drop Fall Test, que consiste em descer de uma superfície elevada, até o solo, apoiando ambos os pés de uma única vez. Esse teste oferece diversas respostas, como força de reação do solo, força de impacto, potência, trabalho… Além disso, a partir do impacto, as articulações são expostas à necessidade de estabilização, o que auxilia no entendimento de sua reação frente a situações inusitadas. Esse teste pode ser realizado com instrumentação de acelerômetros, cinemetria, plataformas de força e/ou eletromiografia, onde se pode analisar, além das cargas internas e externas, a pré-ativação muscular, que pode indicar rotação, ou diferentes alterações no alinhamento dinâmico (como genu valgo e varo), ainda que estes possam não ser notados em avaliações estáticas.
Cabe ressaltar que lesões de joelho são causados pelos mais diversos fatores, tanto ligados à prática de atividade física (mecânica alterada, traumas, desequilíbrios musculares etc.), quanto ao sedentarismo (fraqueza muscular, sobrepeso, etc.). Desta forma, tais lesões, seja em estágio de reabilitação, ou de prevenção, necessitam de avaliações funcionais que contemplem, não apenas os movimentos utilizados no cotidiano (desportivo ou não), como também as respostas à impactos e a situações não controladas. O Drop Fall Test é uma ótima opção, especialmente quando instrumentado, por fornecer respostas essenciais à um bom processo de ensino/correção do movimento.

Texto por: Me. Catiane Souza

Lattes: http://lattes.cnpq.br/2788554094463654

REFERÊNCIAS:

ASTUR, D.C., XEREZ M., ROZAS J., DEBIEUX P.V., FRANCIOZI C.E., COHEN M. Lesões do ligamento cruzado anterior e do menisco no esporte: incidência, tempo de prática até a lesão e limitações causadas pelo trauma. Revista Brasileira de Ortopedia, v. 51 n. 3, p. 652-6, 2016.

McGINNIS, P.M. Biomecânica do esporte e do exercício. Porto Alegre: Artmed, 2015.

WHITING, W. C., ZERNICKE R. F. Biomecânica da lesão musculoesquelética. Rio de Janeiro: Guanabara, 2001.