Na estabilometria, os parâmetros do centro de pressão (para saber mais: O que é COP? O mesmo que COG? Qual sua utilidade?) são amplamente utilizados. Porém, rotineiramente os laudos da estatocinesiografia que chegam aos profissionais da saúde, sejam médicos, fisioterapeutas ou educadores físicos, são subutilizados, uma vez que se observa o resultado dos parâmetros como um todo, sem atentar às implicações clínicas de cada um deles. É comum que profissionais e estudantes não entendam de forma aprofundada as diferenças entre esses parâmetros, questionando-se: Quais as informações que a oscilação Ântero-Posterior e Médio-Lateral apresentam quando avaliadas de forma individual? Qual a vantagem de não avaliá-las em conjunto tendo um dado ao invés de dois? E qual a aplicação Clínica desses parâmetros?

Inicialmente, é necessário lembrar que a postura ereta semi-estática é mantida por duas estratégias: de tornozelo e de quadril (WINTER et al., 2003). As avaliações de posturografia estática normalmente são avaliadas com os pés paralelos, por exemplo, sobre uma plataforma de força (DUARTE; FREITAS, 2010). Nesta posição, o balanço postural é compensado, inicialmente, pelos músculos flexores plantar e dorsal do tornozelo, ao aumentar a magnitude do balanço ou quando esses não podem ser acionados, a estratégia do quadril é utilizada para restaurar a estabilidade do sistema (DUARTE, 2000). Classicamente, a literatura aponta que a estratégia do quadril é a principal reguladora na direção Médio-Lateral, enquanto a estratégia do tornozelo é priorizada no equilíbrio Ântero-Posterior (WINTER, 1995).

Sabendo que o suporte de cada segmento corporal, o qual é desempenhado pelo controle postural, ocorre pela ação de estruturas passivas (ossos, articulações e tendões) e estruturas ativas (músculos) (MOCHIZUKI; AMADIO, 2003), pode-se perceber a importância da oscilação Ântero-Posterior e Médio-Lateral do COP. Por exemplo, ao observar uma maior oscilação Ântero-Posterior, pode-se definir uma intervenção que preconize estruturas ativas e/ou passivas do tornozelo, as quais podem ter sido comprometidas por um evento pontual, como um entorse de tornozelo, ou por uma característica da postura adotada, como uma antepulsão, ou simplesmente por pouca estabilidade, devido a uma hiperlacidão ligamentar.

Ter informações específicas, sobre o equilíbrio corporal como oscilação Ântero-Posterior e Médio-Lateral do COP permite direcionar o olhar profissional para diagnosticar qual articulação e/ou musculatura deve ser priorizada, seja para uma intervenção clínica baseada em evidência ou para um diagnóstico mais preciso de qual estrutura está comprometida.

 

REFERÊNCIAS:

DUARTE, M. Análise estabilográfica da postura ereta humana quasi-estática. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. 2000.

DUARTE, M., FREITAS S.M. Revisão sobre posturografia baseada em plataforma de força para avaliação do equilíbrio. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 14, n. 3, p. 183-192, 2010.

MOCHIZUKI, L.; AMADIO, A.C. As funções do controle postural durante a postura ereta. Fisioterapia e Pesquisa, v. 10, n. 1, p. 7-15, 2003.

WINTER, D. A.  et al. Motor mechanisms of balance during quiet standing. Journal of Electromyography and Kinesiology, v. 13, n. 1, p. 49-56,  2003.

WINTER, D. A. A B C of balance during standing and walking. Waterloo Biomechanics, Waterloo, 1995.

Os textos mais lidos

Receba nossa Newsletter - Conteúdos sobre biomecânica no Brasil