A qualidade de vida de indivíduos com Parkinson é afetada por diversos fatores ao longo da evolução da doença, sendo diretamente relacionada à incidência dos sintomas (COSTE et al., 2014).

Um dos sintomas relacionado a uma importante diminuição na qualidade de vida na doença de Parkinson é o distúrbio da marcha (SAITO, 2011). 

Uma pesquisa que acompanhou pessoas com Parkinson por 20 anos afirma que 87% dos pacientes tiveram queda, 33% chegaram a apresentar algum tipo de fratura e 81% congelamento (Helly e colaboradores, 2008). O congelamento da marcha é relatado pelo paciente como uma sensação de "os pés sendo colados ao chão" (COSTE, et al. 2014). Outra alteração comum, é conhecida como festinação, marcha festinada ou marcha festinante definida clinicamente como uma tendência para avançar com passos cada vez mais rápidos, porém cada vez menores, associados com o deslocamento anterior do centro de gravidade (BLOEM, 2004).

Avaliações cinemáticas da marcha permitem observar o estágio e evolução desses distúrbios, através de parâmetros como: redução da amplitude de passada, menor velocidade de passo, alta variabilidade na temporização do passo, falta de coordenação bilateral, aumento da frequência da passada, diminuição da cadência (passos/min), menor dissociação de cinturas, tendência a aumentar a fase de duplo apoio enquanto o período de apoio simples é encurtado. Essas informações biomecânicas são de extrema importância para um acompanhamento de qualidade, uma vez que todos os tratamentos existentes visam o controle dos sintomas com o objetivo de manter o portador com o máximo de autonomia e independência funcional possível, proporcionando uma melhor qualidade de vida a estes pacientes e procurando também retardar ao máximo a progressão da doença (SAITO, 2011). Uma forma simples e rápida de fazer tal avaliação é através de um sensor inercial, que fornece informações sobre os parâmetros que se alteram ao longo da evolução do Parkinson, como acelerações, cadência, comprimento do passo, duração do ciclo de marcha, duração da fase de apoio simples e dupla, rotações antero-posterior, anti-retroversão, inclinação lateral.
O profissional que trata um paciente com Parkinson deve estar ciente do quanto um tratamento bem planejado, baseado em avaliações que forneçam informações precisas e exatas, vai refletir em diversos aspectos da vida do paciente, principalmente ao levar em consideração que distúrbios de marcha vem sendo apontados como um dos aspectos mais incapacitantes no Parkinson, constituindo a principal causa de quedas, inatividade e isolamento social, afetando o bem-estar e qualidade de vida não apenas do paciente, como também dos seus familiares, sendo responsável ainda por um aumento da mortalidade desta população (BLOEM et al., 2001; SANTOS et al., 2010).

O tratamento da doença de Parkinson deve ser multidisciplinar, aliando medicamentos a outras terapias, uma vez que distúrbios gerados pela doença, como alterações na marcha afetam desde a interação social até os níveis de mortalidade dessa população, sendo imprescindível um tratamento baseado numa avaliação de qualidade.

 

REFERÊNCIAS:

BLOEM, B. R. et al. Prospective assessment of falls in Parkinson´s disease. Journal of Neurology, 2001; 248: 950-958.

BLOEM, B.R.; HAUSDORFF, J.M.; VISSER, J.E.; GILADI, N. Falls and freezing of gait in Parkinson’s disease: A review of two interconnected, episodic phenomena. Movement Disorders. 2004, 19: 871–884.

COSTE, A.C. et al. Detection of Freezing of Gait in Parkinson Disease: Preliminary Results. Sensors. 2014; 14: 6819-6827

HELLY, A.M. et al. The Sydney Multicenter Study of Parkinson’s Disease: The Inevitability of Dementia at 20 years. Movement Disorders. 2008; 23(6): 837–844.

SAITO, T. C. A Doença de Parkinson e Seus Tratamentos: uma revisão bibliográfica. (monografia) UNIFIL. Londrina, 2011.

SANTOS, V. V. et al., Physical Therapy in Parkinson’s Disease: a Brief Review. Revista Brasileira de Neurologia. 2010; 46 (2): 17-25.

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