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O tornozelo é uma das principais articulações constituintes da cadeia cinética que controla os movimentos nas extremidades inferiores, por ser mais distal, é a que acaba sendo exposta a maiores cargas (Mendiguchia et al 2011). Essas cargas podem levar a uma mecânica alterada ou limitações de movimento nessa articulação, e disfunções em seus movimentos nem sempre ganham a devida atenção dos profissionais. Como na dificuldade de agachar com o tronco em posição neutra, que muitas vezes ocorre por pouca mobilidade de dorsiflexão, e que muitos profissionais por não se atentarem ao tornozelo, acabam planejando em casos similares, uma intervenção na coluna e/ou quadril, o que manteria o ciclo de mecânicas alteradas. Essas mecânicas alteradas podem ter como causa, ou efeito, disfunções decorrentes da maior sobrecarga no tornozelo, a qual apresenta importante relação com lesões, mesmo em outras articulações, por exemplo de LCA (Padua et al, 2015). A dinâmica inversa nos permite entender essas sobrecargas em diferentes contextos.

Uma grande dificuldade nesse aspecto é avaliar a rigidez articular dinâmica, que define o torque gerado na articulação em resposta a perturbações de posição sendo modulada pela posição angular e pelo nível de ativação muscular, tornando difícil estimar durante grandes movimentos e/ou contrações musculares variáveis no tempo. Um novo modelo, proposto recentemente, permite prever com precisão os torques intrínsecos e reflexos produzidos no tornozelo em resposta a pequenas perturbações de posição durante grandes deslocamentos com ativação muscular. Resultados preliminares mostram que durante a contração muscular, a rigidez intrínseca do tornozelo estimada durante o movimento é significativamente menor do que a estimada durante experimentos quase estacionários (Guarin; Kearney, 2015). O estudo reafirma a importância de se conhecer e aplicar as novas formas de medidas que vêm sendo propostas, inclusive como uma forma de conhecer aspectos da musculatura intrínseca, tão importante para a mobilidade e a estabilidade dessa articulação.

Outra aplicação, é no âmbito da prevenção de lesões em bailarinos. Em um recente estudo, Hopper e colaboradores (2015) encontraram estreita relação entre as variáveis do tornozelo e dançarinas com o tipo de solo. As variáveis cinemáticas da articulação do tornozelo (dorsiflexão, amplitude de movimento, velocidade angular de pico e aceleração) e cinéticas (flexão plantar, pico de articulação e potência) foram associadas a forças de reação do solo verticais aumentadas e diminuição da deformação vertical do solo. Essas mudanças mecânicas observadas são interpretadas como um aumento na carga experimentada pelas estruturas de absorção de energia que atravessam o tornozelo. A curta latência das alterações representa um movimento de alta intensidade no tornozelo durante um período limitado de controle neuromuscular cognitivo. Aparentemente, essas observações podem ter implicações no risco de lesão para dançarinos que estão relacionados à estabilização articular, o que é de imprescindível entendimento por parte dos profissionais que possam tratar ou prevenir tais lesões.

Dessa forma, a dinâmica inversa de tornozelo permite conhecer variáveis e fatores que irão influenciar em qualquer tipo de treinamento/tratamento para a região. Entender essas cargas permite ainda um avanço no desenvolvimento de próteses e órteses, tornando-as mais eficazes e funcionais, o mesmo vale para protótipos de exoesqueleto (Dumitru et al., 2015). Além disso, dominar esses conhecimentos auxilia nas diferentes formas de trabalhar essa articulação: treinamento, prevenção de lesões, tratamento pré e pós cirúrgico, permitindo um tratamento adequado a fornecer uma vida mais funcional ao paciente e melhor desempenho ao atleta.

 

Texto por: Me. Catiane Souza

Lattes: http://lattes.cnpq.br/2788554094463654

 

REFERÊNCIAS:

DUMITRU, N., COPILUSI, C., GEONEA, I., TARNITA, D., DUMITRACHE, I Dynamic analysis of an exoskeleton new ankle joint mechanism. In: New Trends in Mechanism and Machine Science. Springer, Cham, 2015. p. 709-717.

GUARIN, D. L.; KEARNEY, R. E. Time-varying identification of ankle dynamic joint stiffness during movement with constant muscle activation. In: Engineering in Medicine and Biology Society (EMBC), 2015 37th Annual International Conference of the IEEE. IEEE, 2015. p. 6740-6743.

HOPPER, L. S., ALDERSON, J. A., ELLIOTT, B. C., ACKLAND, T. R. J Sci Med Sport: Dance floor force reduction influences ankle loads in dancers during drop landings. Journal of Dance Medicine & Science, v. 19, n. 4, p. 174-174, 2015.

MENDIGUCHIA, J., FORD, K. R., QUATMAN, C. E., ALENTORN-GELI, E., HEWETT, T. E. Sex differences in proximal control of the knee joint. Sports Medicine, v. 41, n. 7, p. 541-557, 2011.

PADUA, D. A., CAMERON, K. L., BEUTLER, A. I., DE LA MOTTE, S. J., KUCERA, K. L., GOLIGHTLY, Y. M., MARSHALL, S. W. Prospective evaluation of musculoskeletal injury history as predictors for anterior cruciate ligament injury risk: The JUMP-ACL study. Osteoarthritis and Cartilage, v. 23, p. A171-A172, 2015.

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