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Uma vez que obter informações sobre a carga externa é mais simples e bem menos invasivo do que avaliar diretamente as cargas internas, a dinâmica inversa permite estimar a sobrecarga articular, ou mesmo, a partir dos torques gerados qual a musculatura envolvida em determinados movimentos. Por mais que as avaliações e os cálculos envolvidos, essencialmente mecânicos (MCGinnis, 2015) nem sempre são familiares à maioria dos profissionais que trabalham com o movimento, a aplicação de seus resultados é de extrema utilidade nas intervenções, mesmo no que diz respeito à movimentos simples aplicados de forma corriqueira. Por exemplo, você poderia imaginar que um movimento de extensão de quadril e joelho pode estar gerando uma estratégia de torque extensor no joelho e flexor no quadril?

Recentemente, a dinâmica inversa de um exercício similar ao leg press, porém em equipamento do Pilates (o footwork no reformer), onde se empurra uma barra e não uma plataforma, mostra que o exercício pode ser realizado usando duas estratégias conceitualmente diferentes: (1) o primeiro grupo usou torques simultâneos de extensão de quadril e joelho, (2) enquanto o segundo grupo usava torques simultâneos de flexão do quadril e extensão do joelho para realizar o exercício (Cantergi et al., 2015). Essas diferentes estratégias foram alcançadas ao mudar a direção da força aplicada pelos pés, as quais, consequentemente mudaram as tendências de movimento e por fim, o sentido do torque dessa articulação!!!

Outra aplicação prática da dinâmica inversa do quadril diz respeito ao risco de lesão do ligamento cruzado anterior (LCA). Um estudo desenvolvido em 2017 trouxe uma avaliação das articulações do membro inferior a partir da força de reação do solo, durante o pouso (KOGA, 2017). Os autores afirmam que o quadril tem papel fundamental, uma vez que, frente a um movimento “travado” da articulação do quadril a absorção de energia nessa articulação pode ser limitada, contribuindo para a lesão. Dessa forma, avaliações de dinâmica inversa indicam que deve-se buscar a prevenção de lesões do LCA através da flexão adequada do quadril, evitando ainda sua rotação interna excessiva durante o desembarque no solo. Ou seja, uma avaliação de riscos para rompimento de LCA deve incluir mais do que apenas o olhar estritamente voltado para o joelho!

A partir desses exemplos, dentre os inúmeros avanços dos estudos com dinâmica inversa do quadril, pode-se ilustrar a riqueza de informações advindas de tal técnica, bem como sua ampla utilização nos diferentes contextos de intervenções baseadas no movimento. Um entendimento adequado sobre os torques e as forças impostas durante o movimento fornecem mais segurança e efetividade ao tratamento, seja ele de prevenção ou de reabilitação – do pós-cirúrgico ao treinamento funcional para as atividades de vida diária!

 

Texto por: Me. Catiane Souza

Lattes: http://lattes.cnpq.br/2788554094463654

 

REFERÊNCIAS:

CANTERGI, D.; LOSS, J. F.; JINHA, A.; BRODT, G. A.; HERZOG, W. Muscle strategies for leg extensions on a “Reformer” apparatus. J Electromyogr Kinesiol, v. 25, n. 2, p. 260-264, 2015.

KOGA, H., MUNETA, T., BAHR, R., ENGEBRETSEN, L., KROSSHAUG, T. ACL injury mechanisms: lessons learned from video analysis. In Rotatory Knee Instability Springer, Cham, 2017.

McGINNIS, P.M. Biomecânica do esporte e do exercício. Porto Alegre: Artmed, 2015.
 

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